Impacto de fumar na fertilidade

Todos nós já fomos bombardeados com mensagens sobre os perigos do fumo por várias décadas, mas há um problema que tende a passar despercebido: o impacto que o fumo tem sobre a fertilidade.

Todos nós já fomos bombardeados com mensagens sobre os perigos do tabagismo por várias décadas, mas há um problema que tende a passar despercebido: o impacto que o tabaco tem sobre a fertilidade

It’s estimated that over 1 billion people worldwide regularly smoke tobacco every year, but many people aren’t aware that it can harm their chances of conceiving and giving birth to a healthy baby.

Most couples who have regular, unprotected sex will succeed in getting pregnant within one year. But for people who smoke, it can take approximately twice as long to get pregnant. Another study found that women who smoke are less fertile than non-smokers.

Contrary to popular myth, low-tar and low-nicotine cigarettes pose the same danger to fertility as traditional cigarettes.

There’s no amount of cigarette smoke that is safe for women who want to start a family.

Even if you smoke only one to five cigarettes a day, you’re still at risk of ectopic pregnancies or premature birth. Secondhand smoke also harms your fertility, such as if your partner smokes, or if you work in smoke-filled conditions.

How does smoking affect female fertility?

When you smoke, the toxins in the cigarettes enter your body and pervade every part of your system. As a result, smoking affects your fertility in a number of different ways.

Poor quality eggs

The nicotine, cyanide, carbon monoxide, and other chemicals in cigarette smoke can harm the ovaries, producing poor quality eggs that are less likely to be fertilized and develop into a healthy fetus.

Early menopause

Every woman is born with a finite number of follicles, which develop into eggs. These are your ovarian reserve. Eggs die naturally throughout your life, and once they have been used up, you enter menopause. Women who have completed menopause can no longer become pregnant.

A number of studies have found that women who smoke have a significantly lower ovarian reserve than non-smokers, because the toxins in cigarette smoke cause the eggs to age and die off faster than normal. On average, smokers enter menopause more than 1 year earlier than non-smokers.

Disruption of the hormonal balance

The chemicals present in cigarette smoke also interfere with your endocrine function, which is the part of your brain which is responsible for producing and releasing sex hormones. Oestrogen, progesterone, testosterone, and follicle stimulating hormone (FSH) govern your menstrual cycle, ovulation times, and uterine development in order for you to become pregnant.

Damage to the fallopian tubes

There is also evidence that smoking affects the fallopian tubes, increasing the risk of lesions. It’s thought that this is why smoking raises the incidence of ectopic pregnancy, which is when an embryo implants in the tubes rather than the womb.

Ectopic pregnancy can be life-threatening, or permanently damage the fallopian tubes to the extent that future conception is impossible.

Lower embryo implantation rate

Cigarette smoke and the toxins that it contains can affect the behavior of the cilia, which are tiny “hairs” that line the fallopian tubes and transport the egg and embryo to the uterus. When the embryo settles in the uterus, it’s “implanted,” and can continue to grow and develop into a healthy baby. In women who smoke, implantation rate drops by over 20%.

The damage continues beyond conception

For women who smoke or who spend a lot of time in a smoke-filled environment, cigarettes can continue to cause harm even after conception.

  • Ectopic pregnancy rates are notably higher among women who smoke, as mentioned above
  • Miscarriage rates also jump, because the smoke-damaged eggs and sperm often can’t create a viable embryo
  • Premature birth and low birth weight are both common, because the chemicals in cigarettes slow down fetal development and increase the number of cells that die in the process

Cigarette smoke is harmful for male fertility too

It’s not just women who need to stop smoking before starting a family. Male fertility is also affected by cigarette smoke. Out of the 8.75 million men in the UK aged 20-39, 120,000 of them are infertile because of smoking.

Cigarette toxins like cadmium and cotinine damage sperm DNA, which can then cause problems with fertilization, embryo development, and embryo implantation, hampering attempts to become pregnant and increasing miscarriage rates.

Cigarette smoke negatively affects semen and sperm quality, causing:

  • Lower sperm concentration in semen. Fewer sperm are released during ejaculation, which lowers the chances that one of them will reach and fertilize the egg
  • Poor-swimming sperm which find it harder to reach the egg in order to fertilize it
  • Abnormally-shaped sperm which struggle to fertilize the egg when they reach it

Surprisingly, all these effects have been spotted in men whose mothers smoked half a pack of cigarettes or more every day while pregnant and/or breastfeeding, even if the men themselves didn’t smoke, which shows just how far the effects of smoke can reach.

IVF can’t undo the impact of cigarette smoke

As well as reducing your ability to conceive naturally, smoking also harms your chances of getting pregnant through IVF.

It’s been found that smokers need twice as many cycles as non-smokers before they can conceive. Women who smoke need more ovary-stimulating medication, and still see 30% lower pregnancy rates.

Even when women stopped smoking many years before receiving IVF, there’s some evidence that the difference may still be noticeable. There’s also a recent study that found that smoking at any point in your life can harm your placenta, which can affect your ability to carry a baby to term as well as harming the health of the fetus.

Men who smoke see much lower success rates in assisted reproductive technologies like IVF or intracytoplasmic sperm injection.

It’s worth it to stop smoking

The good news is that when you stop smoking, your fertility can recover very quickly, although you can’t undo all the damage. Sperm and egg DNA improve, sperm quality rises, and female hormonal balance returns, although some aspects of harm, like your reduced egg supply, can’t be fixed.

If you’re thinking of starting a family, it’s best to stop smoking as soon as possible. Women who have stopped smoking don’t see any significant drop in their fertility compared with women who have never smoked.

Whether you’re hoping to conceive naturally or thinking or starting IVF, quitting smoking will give you the best shot at growing a healthy family. We hope that your path to parenthood will be easy and worry-free.

Estará o seu emprego a afetar a sua fertilidade?

É provável que já tenha ouvido falar dos riscos de adiar a maternidade até atingir estabilidade na carreira, uma vez que ter filhos mais tarde poderá reduzir as suas hipóteses de vir a ter uma gravidez e um parto bem-sucedidos.

É provável que já tenha ouvido falar dos riscos de adiar a maternidade até atingir estabilidade na carreira, uma vez que ter filhos mais tarde poderá reduzir as suas hipóteses de vir a ter uma gravidez e um parto bem-sucedidos. Mas talvez não saiba que o seu emprego ou as próprias condições do seu local de trabalho podem também afetar as suas possibilidades de engravidar e ter filhos saudáveis.

Existem pelo menos seis formas através das quais o seu emprego pode afetar a sua fertilidade:

  • A exposição a produtos químicos pode reduzir a fertilidade
  • A exposição à radiação pode provocar lesões no sistema reprodutor e nos ovócitos
  • O impacto do trabalho por turnos ou de diferenças horárias (jet lag) no equilíbrio hormonal pode afetar a fertilidade
  • Os efeitos do stresse nas hormonas reprodutivas podem reduzir a probabilidade de engravidar
  • Passar muito tempo a levantar objetos pesados, com as costas dobradas ou em pé, exigindo ao seu corpo um esforço físico, pode pô-la em risco de ter problemas de fertilidade
  • A fertilidade masculina também pode ser afetada pelo ambiente de trabalho. Há que ter em conta que são precisos dois para dançar o tango!

Locais de trabalho que a expõem a produtos químicos prejudiciais

É difícil dizer o número exato de produtos químicos aos quais as mulheres estão expostas no dia a dia, uma vez que eles se encontram por todo o lado: na maquilhagem, nos produtos de saúde, na água e nos alimentos. Num estudo verificou-se que cada mulher grávida nos EUA está exposta a pelo menos 43 produtos químicos diferentes durante a gravidez.

Mas o local de trabalho pode ser particularmente perigoso. Demonstrou-se que existem mais de mil produtos químicos frequentes no local de trabalho que afetam a reprodução em animais, mas há outros milhões que nunca foram sequer estudados. Na Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA, European Chemicals Agency) foram registadas mais de 21 mil substâncias desde 2008, tratando-se apenas de substâncias produzidas em quantidades superiores a uma tonelada. É impossível saber quais delas poderão afetar a fertilidade.

Ainda assim, existem alguns produtos químicos que já se sabe que podem dificultar uma gravidez, aos quais é muito fácil estar exposto. Alguns dos principais produtos químicos nocivos que afetam a fertilidade são:

  • Chumbo e compostos de chumbo utilizados em tintas, tubagens e cerâmica
  • Pesticidas utilizados na agricultura, silvicultura ou em veterinária
  • ureto de carbono (CS2) utilizado em fábricas que produzem borracha e celofane
  • Bifenilos policlorados (PCB) utilizados em equipamentos elétricos, lubrificantes, fluidos de arrefecimento e outros fins industriais
  • Resina epóxi e resinas utilizadas no fabrico de plástico, em salões de estética e em medicina dentária
  • Solventes orgânicos como os utilizados em diluentes, removedores de verniz, perfumes e em desinfetantes industriais utilizados em estabelecimentos de saúde e salões de estética
  • Gases de escape de motores a diesel e de motores a jato

Como podemos ver, isto inclui um grande número de locais de trabalho e tipos de empregos, incluindo trabalho em salões de estética, fábricas, estabelecimentos de saúde, agricultura, arte e oficinas.

Estes produtos químicos podem alterar o equilíbrio entre a hipófise (uma glândula no cérebro que controla as hormonas) e os ovários.

O estrogénio e a progesterona são hormonas que regulam o seu ciclo menstrual e permitem ao útero preparar-se para acolher o ovócito fecundado. Se a hipófise não produzir as hormonas na altura e na quantidade certa, podem ocorrer alterações no momento da ovulação, danos na produção de ovócitos e uma redução na qualidade dos ovócitos. É mais provável que tenha dificuldades em engravidar caso os seus ovócitos estejam danificados. Além disso, quando a qualidade dos ovócitos é mais baixa, o risco de não se dividirem corretamente é superior, o que aumenta a probabilidade de ocorrência de anomalias cromossómicas.

 

Trabalho na área da saúde

Os fármacos de quimioterapia, os exames de raio-X e procedimentos de fluoroscopia produzem radiação ionizante, à qual geralmente chamamos apenas radiação. Esta afeta a fertilidade das pessoas que tenham de ser submetidas aos tratamentos, mas podem também afetar as equipas médicas que realizam os procedimentos ou que cuidam das pessoas após o tratamento.

A radiação direta pode provocar lesões nos ovários, ao passo que a radiação de fuga pode danificar o ADN das células. As práticas de segurança atualmente aplicáveis aos locais de trabalho geralmente garantem que a radiação de fuga se encontra bastante abaixo dos níveis nocivos, mas é importante seguir as regras e garantir que os empregadores obedecem às mesmas. Mesmo uma pequena dose de radiação pode induzir a menopausa precoce.

Demasiado stresse no trabalho

Qualquer profissão que provoque muito stresse pode ter impacto na fertilidade.

Referimo-nos a cargos executivos importantes, trabalhos com prazos muito curtos e exposição a chefes tóxicos ou a um ambiente de trabalho stressante.

Isto deve-se ao facto de o stresse produzir uma resposta hormonal (resposta de “luta-ou-fuga”) que afeta o equilíbrio hormonal do organismo, o que pode afetar a produção de hormonas reprodutivas.

Trabalho por turnos e diferença horária (“jet lag”)

Viajar com regularidade ou trabalhar durante a noite, de manhã cedo ou até tarde pode perturbar o seu relógio biológico, provocando “jet lag”. Quando o relógio biológico não funciona corretamente, a produção hormonal pode sofrer alterações, perturbando o ciclo menstrual e a janela de ovulação.

Isto aplica-se a:

  • Mulheres de negócios que viajam regularmente ou que trabalham no estrangeiro
  • Pessoas que trabalham por turnos em profissões da área da saúde, forças de segurança, comida rápida, hotelaria e fábricas.

Apenas cerca de 24% dos europeus têm um emprego em que trabalham 8 horas por dia, cinco dias por semana, em horário diurno. 17% trabalham por turnos e 14% trabalham 10 ou mais horas regularmente.

Empregos fisicamente exigentes

No seu emprego, muitas mulheres têm tarefas que exigem dobrar as costas ou levantar objetos pesados; demonstrou-se que estas atividades podem afetar a qualidade dos ovócitos e a sua produção. O CDC define estas atividades como “excessivas” quando uma pessoa dobra as costas mais de 20 vezes por dia ou levanta objetos pesados mais de uma vez a cada cinco minutos.

Num estudo publicado na revista Journal of Occupational & Environmental Medicine, verificou-se que as mulheres que têm empregos fisicamente exigentes apresentavam uma reserva ovárica 9% mais baixa e menos 14,5% de ovócitos maduros do que as mulheres cujos empregos não obrigavam a levantar pesos.

As mulheres que trabalham em restaurantes ou bares, como prestadoras de cuidados infantis, em fábricas ou armazéns de distribuição, no comércio a retalho e várias outras indústrias podem estar sujeitas a “demasiada” atividade física, de acordo com o estudo anterior.

A fertilidade masculina também é uma questão relevante

O ambiente de trabalho pode afetar também a fertilidade masculina, pelo que deve ser um fator a ter em conta se tiver dificuldades em engravidar.

O calor é um fator de risco significativo de infertilidade masculina.

A temperatura ideal para a produção de espermatozoides é de alguns graus a menos do que a temperatura corporal, mas muitos homens trabalham em ambientes quentes que aumentam a temperatura nos testículos. Nestas situações, a forma dos espermatozoides sofre alterações e estes não conseguem nadar suficientemente bem para alcançar e fecundar o ovócito.

O calor pode ser um problema para:

  • Operários fabris
  • Soldadores
  • Polícias, bombeiros e outras profissões que requeiram a utilização de uniformes apertados e pesados
  • Trabalhadores em escritórios que utilizem o computador portátil no colo

A exposição a produtos químicos como pesticidas, DDEs, gases de escape de motores a diesel, chumbo e diluentes pode influenciar:

  • A qualidade do esperma
  • A produção de espermatozoides
  • A libido e a função eréctil
  • A produção de sémen, necessário para os espermatozoides alcançarem o ovócito

Nem todos os riscos são iguais

Antes de entrar em pânico, tenha em mente que nem todos os produtos químicos irão afetar a sua saúde reprodutiva.

Dos aspetos que fazem a diferença, salientam-se:

  • A duração da exposição ao fator de risco: inala vapores de gasolina uma vez por mês ou todos os dias?
  • A via de exposição: inala vapores, sente partículas na pele ou o produto fica nas mãos, passando depois para a boca?
  • O momento da exposição: alguns produtos químicos podem afetar a ovulação apenas quando a exposição se dá em determinadas alturas do ciclo, ou aumentar o risco de aborto espontâneo somente no primeiro trimestre da gravidez.
  • A sua idade e saúde geral. Algumas mulheres são mais afetadas por produtos químicos, stresse, etc. do que outras.

Procure um ambiente de trabalho saudável

Ainda não se conhecem todas as formas através das quais o seu emprego poderá afetar a sua fertilidade, pelo que é importante fazer todos os possíveis por criar um ambiente de trabalho saudável.

Isto aplica-se a:

  • Garantir que o seu escritório ou local de trabalho tem ventilação adequada
  • Utilizar equipamento de proteção individual (EPI) apropriado quando necessário
  • Evitar situações de stresse
  • Reduzir as viagens de negócios e o trabalho por turnos
  • Minimizar a frequência com que dobra as costas ou levanta objetos pesados

Independentemente das opções que venha tomar quanto à sua futura família, desejamos que a sua experiência seja o mais agradável possível.

O ganho de peso conduz à perda de fertilidade?

É do conhecimento geral que ter peso a mais pode afetar a saúde em muitos aspetos, mas os estudos indicam que o excesso de peso pode também ter um impacto significativo na fertilidade.

É do conhecimento geral que ter peso a mais pode afetar a saúde em muitos aspetos, mas os estudos indicam que o excesso de peso pode também ter um impacto significativo na fertilidade. Existem pelo menos 3 formas através das quais o peso pode afetar a probabilidade de engravidar:

  • Interferindo com o ciclo menstrual
  • Alterando a qualidade dos óvulos
  • Aumentado o risco de ter um aborto espontâneo

Que peso é considerado excessivo?

No que diz respeito à fertilidade, o peso é medido de acordo com o IMC, o índice de massa corporal. De uma forma geral:

  • Um IMC inferior a 18,5 é indicativo de baixo peso
  • Um IMC entre 18,5 e 24,9 é saudável
  • Um IMC entre 25 e 29,9 é indicativo de excesso de peso
  • Um IMC superior a 30 é considerado obesidade

Dito isto, o peso considerado saudável varia conforme a pessoa. É possível que uma mulher com um IMC saudável tenha problemas de fertilidade relacionados com o peso e que uma mulher com excesso de peso consiga engravidar e dar à luz ser qualquer problema.

O excesso de peso pode interferir com o ciclo menstrual

O principal fator através do qual o excesso de peso afeta a fertilidade consiste na possibilidade de interferência com o seu ciclo menstrual.

O seu ciclo menstrual é regulado por um equilíbrio delicado nas hormonas produzidas pela hipófise e pelo hipotálamo, as glândulas que estimulam os ovários. A hormona mais importante é a hormona libertadora de gonadotrofinas, ou GnRH. Esta estimula a produção da hormona folículo-estimulante (FSH), a qual inicia o desenvolvimento de ovócitos nos ovários e aumenta os níveis de estrogénio; e da hormona luteinizante (LH), que desempenha um papel na maturação dos ovócitos e na sua libertação atempada.

Normalmente, o hipotálamo liberta GnRH a cada uma a duas horas, a um ritmo constante, mas em casos de excesso de peso, o acréscimo de tecido adiposo produz a sua própria hormona, designada leptina, a qual interrompe a produção de GnRH e perturba todo o ciclo menstrual. Quanto maior a quantidade de gordura em excesso, especialmente na zona do abdómen, maior a quantidade de leptina produzida pelo corpo.

A obesidade provoca ainda uma redução na produção da globulina de ligação das hormonas sexuais (SHBG) e da hormona de crescimento (GH), as quais também estão envolvidas na estimulação dos seus ovários, para que estes produzam níveis adequados de androgénio e estrogénio. Um estudo indica, que as mulheres obesas têm muito menor probabilidade de engravidar naturalmente no período de um ano do que as mulheres que se encontram num intervalo de peso normal.

A obesidade pode até conduzir a uma situação de anovulação, em que os seus ovários simplesmente param de produzir ovócitos por completo, devido à perturbação do equilíbrio hormonal. As mulheres com IMC superior a 27 têm uma probabilidade três vezes superior de ter parado de ovular do que as mulheres com um IMC normal.

Alteração da qualidade dos ovócitos

A ciência ainda se encontra a investigar a existência de uma ligação entre a obesidade e um declínio na qualidade dos ovócitos, mas é provável que, mesmo que se encontre a ovular, a obesidade reduza a qualidade dos ovócitos. Uma vez que o ovócito se divide continuamente, é mais provável que ocorram anomalias na divisão, originando ovócitos com um número errado de cromossomas, e/ou que os ovócitos não possam ser fecundados corretamente.

Num outro estudo, verificou-se que por cada ponto adicional no IMC acima dos 29, a probabilidade de engravidar no espaço de 1 ano diminui em cerca de 5%.

Aborto espontâneo e nascimento

Os investigadores descobriram ainda que, após engravidar, a obesidade pode afetar a probabilidade de a mulher concluir a gravidez e dar à luz um bebé saudável. Segundo o sistema nacional de saúde britânico (NHS), as mulheres obesas apresentam taxas de aborto espontâneo mais elevadas, maior risco de desenvolver diabetes gestacional, pressão arterial elevada e pré-eclâmpsia, estando mais sujeitas a sofrer complicações no momento do parto. Quanto maior o IMC, maior o risco.

Num estudo, concluiu-se que até uns “quilinhos” a mais podem ter um efeito surpreendente na ocorrência de aborto espontâneo durante a FIV. Trinta e oito por cento das mulheres com um IMC igual ou superior a 25 tiveram um aborto espontâneo no primeiro trimestre, em comparação com 20% das mulheres com um IMC saudável.

Obesidade e infertilidade masculina

Um outro aspeto a ter em conta consiste no facto de que o ganho de peso também pode provocar infertilidade nos homens. Alguns estudos indicam que os homens com excesso de peso, com um IMC superior a 25, apresentam uma redução de 22% na contagem de espermatozoides e de 24% na concentração de espermatozoides. Além disso, os níveis de testosterona diminuem com o aumento do IMC, o que reduz o desejo sexual (libido).

O peso não é o único fator que afeta a fertilidade, sendo que a presença de miomas pode reduzir a capacidade de engravidar. No entanto, se tiver dificuldades em engravidar e tiver excluído outros fatores que possam estar a impedir uma gravidez, poderá considerar a necessidade de perder peso.

Desejamos que o caminho que a conduz à gravidez e à maternidade seja agradável e que a viagem decorra sem percalços.

Quão difícil é, exatamente, engravidar depois dos 35?

Se está a tentar ter filhos, ou se quer ter filhos, um dia, mas não tem possibilidade de o fazer no imediato, já lhe devem ter dito que deve começar antes dos 35, já que, mais tarde, terá sérias dificuldades.

Se está a tentar ter filhos, ou se quer ter filhos, um dia, mas não tem possibilidade de o fazer no imediato, já lhe devem ter dito que deve começar antes dos 35, já que, mais tarde, terá sérias dificuldades.

Estas afirmações provocam stresse e a ansiedade, mas será que têm algum fundo de razão? Quão difícil é, exatamente, engravidar depois dos 35? Vale a pena ter esperança?

Como em muitos casos, a resposta é mais complicada do que nos é dado a entender.

O “35” não é nenhum número mágico

É impossível traçar uma linha temporal e afirmar que, depois dessa data em concreto, a sua fertilidade irá cair a pique. Na realidade, o que acontece é que que a fertilidade começa a diminuir gradualmente à medida que se aproxima dos 30 anos. A velocidade de declínio aumenta ao chegar aos 32, voltando depois a aumentar perto dos 37 anos.

Aos 40, a fertilidade já diminuiu significativamente. Ainda é possível engravidar, mas pode demorar muito mais do que esperava.

Em seguida, apresentam-se alguns números que explicam melhor a situação. Num grande estudo estudaram-se as taxas de gravidez de mulheres que tiveram relações sexuais no seu dia mais fértil. Verificou-se que:

  • As mulheres entre os 19 e os 26 anos tinham uma probabilidade superior a 50% de engravidar
  • As mulheres entre os 27 e os 34 anos apresentavam uma taxa ligeiramente inferior a 40%
  • As mulheres entre os 35 e os 39 anos tinham uma probabilidade inferior a 30% de engravidar, quase metade da taxa apresentada pelas mulheres com idade entre os 19 e os 26.

Por outras palavras, tem 25% de hipóteses de engravidar, em cada mês, antes dos 30 anos, mas este número diminui para 5% ao chegar aos 40.

Isto não quer dizer que seja impossível, apenas que é menos provável.

Outra forma de calcular a fertilidade consiste em verificar quanto tempo é preciso até uma mulher engravidar e ter um filho. Através deste método,  calculou-se que:

  • 75% das mulheres de 30 anos estão grávidas ao fim de 1 ano; 91% engravidam no espaço de 4 anos.
  • 66% das mulheres de 35 anos estão grávidas ao fim de 1 ano; 84% engravidam no espaço de 4 anos.
  • Apenas 44% das mulheres de 40 anos estão grávidas ao fim de 1 ano; somente 64% engravidam no espaço de 4 anos.

Dados estes números, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM, American Society of Reproductive Medicine) recomenda que inicie uma avaliação de infertilidade se não tiver engravidado ao fim de 12 meses de sexo não protegido, se tiver menos de 35 anos, ou ao fim de 6 meses, se tiver mais de 35 anos.

Não é só a questão da fertilidade

Quando se fala sobre a dificuldade de engravidar após os 35 anos, é importante recordar que não nos referimos apenas às taxas de gravidez.

A idade aumenta a probabilidade de ocorrência de aborto espontâneo ou morte fetal.

O risco de o bebé ter malformações congénitas graves, que a podem levar a considerar a interrupção da gravidez, também aumenta após os 35 anos. De acordo com um estudo, 10% das gravidezes em mulheres com 20 e poucos anos resultam num aborto espontâneo, mas esse valor aumenta para 18% em mulheres com mais de 35 anos e para 34% em mulheres com mais de 40.

Isto significa que terá um risco de 40% de perder o bebé aos 40 anos, risco esse que é de apenas 15% quando está na casa dos 20. Esta questão deve-se principalmente ao facto de que a qualidade e a quantidade dos seus ovócitos diminuem com a idade. A redução na qualidade dos ovócitos conduz a um aumento do risco de um ovócito fecundado não se dividir corretamente, originando anomalias cromossómicas.

Woman thinking fertility after 35

Mulher a considerar a questão da fertilidade após os 35 anos

 

Porque é que se torna tão difícil engravidar depois dos 35?

O motivo principal para o declínio na fertilidade que ocorre perto desta idade consiste no facto de que já lhe restam poucos ovócitos. As mulheres têm cerca de 1 milhão de ovócitos à nascença, contudo, ao atingirem a puberdade, já só restam cerca de 300 a 400 mil. Este número diminui gradualmente e, aos 35, sobram apenas algumas dezenas de ovócitos aptos para serem fecundados. Nesta idade, pode começar a ter ciclos menstruais em que não há libertação de um ovócito.

Com a idade, aumenta a probabilidade de ter tido algum tipo de cirurgia ou infeção que possa ter afetado a sua fertilidade, deixando cicatrizes no colo do útero e nas trompas de Falópio. Também existe uma probabilidade superior de ter desenvolvido problemas como endometriose ou miomas uterinos, que provocam grandes dificuldades em engravidar.

À medida que envelhece, também se dá um declínio natural no muco cervical, o qual tem um papel fundamental na fecundação, ajudando os espermatozoides a atingir o útero e as trompas de Falópio, onde se encontra o ovócito.

Cada ano que acresce aos 35 pode afetar as suas hipóteses de ter uma gravidez bem-sucedida, pelo que é importante procurar assistência médica assim que se aperceba de que está a ter dificuldade em engravidar. Quer tente ter filhos através de FIV, doação de ovócitos/espermatozoides ou por gravidez natural, desejamos que a sua experiência seja o mais agradável possível.

A idade do parceiro também importa

Não é só a idade da mulher que afeta a sua probabilidade de engravidar naturalmente. A idade do parceiro também desempenha um papel.

A fertilidade masculina não diminui tão rapidamente como a feminina; perto dos 40, contudo, já apresenta um declínio significativo. Num estudo verificou-se que as mulheres entre os 35 e os 39 anos que tinham um parceiro no mesmo intervalo de idades apresentavam uma taxa de gravidez de 29%, mas o facto de o parceiro ser cinco ou mais anos mais velho reduziu a taxa de gravidez para apenas 18%.

Existem múltiplos fatores que contribuem para a fertilidade

Muita gente dirá que deve tentar engravidar antes da idade “mágica”. Como vimos, não existe uma idade preestabelecida que determine a diminuição da sua fertilidade (ou a fertilidade do seu parceiro). Dito isto, as suas hipóteses de engravidar e ter um bebé saudável diminuem com a sua idade e com a idade do seu parceiro, à medida que passa a ter menos ovócitos viáveis disponíveis, aumentando a probabilidade de aborto espontâneo e morte fetal. O ideal é procurar engravidar mais cedo, mas não existe nenhuma receita (ou idade) mágica que possa garantir o sucesso.

Qual a melhor opção de preservação da fertilidade: congelar ovócitos ou embriões?

Apesar de não haver ainda qualquer forma de mandar parar o relógio biológico, a tecnologia moderna deu-nos uma espécie de botão para o adiar.

Apesar de não haver ainda qualquer forma de mandar parar o relógio biológico, a tecnologia moderna deu-nos uma espécie de botão para o adiar.

Congelar ovócitos e embriões, uma técnica também conhecida por criopreservação, permite preservar estes fatores decisivos da fertilidade na idade biológica em que foram congelados. Uma vez que o principal fator que influencia a possibilidade de ter uma gravidez e um parto viável é a idade do ovócito, e não a idade da mulher grávida, esta é uma excelente notícia para mulheres cujos relógios biológicos estejam a dar alerta.

Se estiver a considerar esta opção, a próxima grande questão é: deve congelar ovócitos ou embriões?

Esta não é uma decisão fácil, havendo muitas questões a ponderar e fatores a considerar antes de começar. Em seguida, apresenta-se uma longa lista de fatores que a poderão ajudar a decidir qual será o caminho certo para si.

Fatores físicos

Um pouco de contexto

As primeiras fases da congelação de ovócitos e de embriões são idênticas. Administram-se medicamentos que aumentam a ovulação e permitem preparar mais ovócitos do que o habitual. Os ovócitos são então colhidos a partir dos ovários (um procedimento intravaginal feito com anestesia).

Este é o último passo da congelação de ovócitos. Por outro lado, se quiser congelar embriões, é agora altura de transformar esses ovócitos em embriões. Para tal, são precisos espermatozoides, do parceiro ou de um dador, para fecundar o ovócito. Caso o ovócito seja fecundado, será congelado assim que se tenha multiplicado e formado cerca de 50 a 100 células.

Isto traz-nos ao primeiro grande fator a considerar ao optar por congelar ovócitos ou embriões:

Necessidade de espermatozoides

Certo, pode ser óbvio, mas vamos dizê-lo à mesma: para gerar um embrião, precisa de espermatoizoides. Caso tenha um parceiro com quem esteja 100% segura de que quer ter filhos no futuro ou se estiver a contar recorrer à doação de espermatozoides, não existe qualquer obstáculo à criação e congelação de embriões.

Se estiver solteira e ainda tenha esperança de encontrar o parceiro certo com quem ter filhos, a congelação de ovócitos pode fazer mais sentido. Neste caso, basta apenas um interveniente: você.

Taxas de sucesso da congelação e descongelação

Os ovócitos são mais frágeis do que os embriões, uma vez que consistem numa única célula (e não 100), a qual é maioritariamente constituída por água. No entanto, enquanto os métodos mais antigos de congelação de ovócitos originavam problemas, com bastante frequência, durante a congelação ou descongelação dos ovócitos, a técnica de vitrificação (congelação ultrarrápida) que se tem vindo a generalizar nos últimos anos conduziu a um aumento das taxas de sucesso na utilização de ovócitos congelados até à taxa de sucesso na utilização de ovócitos frescos..

Taxa de fecundação conhecida

Ao congelar embriões, sabe exatamente quantos embriões fecundados (ou seja, quantas possibilidades de vir a ter uma gravidez viável) estará a preservar. Por outro lado, ao congelar ovócitos, não sabe quantos deles serão fecundados depois da descongelação.

Assim, a criação de cada embrião para FIV requer normalmente vários ovócitos. Este gráfico exemplificativo mostra 2 embriões viáveis que se desenvolveram a partir de um grupo de 12 ovócitos colhidos (sendo que os resultados individuais podem ser variáveis). Assumindo que o seu caso corresponde ao caso ilustrado no gráfico, e desde que tenha congelado os 12 ovócitos, isto seria basicamente equivalente (em termos probabilísticos) a congelar 2 embriões.

Taxa de parto de recém-nascido vivo

Como sabemos, o facto de termos um ovócito viável (ou mesmo um embrião fecundado) não garante, infelizmente, que se venha a ter uma gravidez e um parto bem-sucedidos. Mas a probabilidade de dar à luz um recém-nascido vivo é superior utilizando um embrião congelado ou um ovócito congelado?

A Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana do Reino Unido (HFEA, Human Fertilisation and Embryology Authority) apresenta as seguintes taxas de parto com embriões congelados com recurso a ovócitos da própria mulher e a espermatozoides do parceiro, com base na idade da mulher no momento da transferência:

Menos de 35 – 27%
35 a 37 – 26%
38 a 39 – 21%
40 a 42 – 15%
43 a 44 – 8%
45 e superior – 4%

Dado que os métodos fiáveis de congelação de ovócitos são mais recentes, existem menos dados sobre a congelação de ovócitos (especialmente em mulheres que usam os seus próprios ovócitos congelados) do que sobre a congelação de embriões.

Os dados que efetivamente temos, segundo a HFEA, indicam uma taxa de parto com recurso a ovócitos congelados de dadoras de cerca de 30% em 2016. Este valor é semelhante (e possivelmente até ligeiramente superior) às taxas supracitadas no caso de embriões congelados, mas não divide os dados de acordo com a idade da mulher no momento da transferência.

A taxa média de parto em mulheres que utilizam os seus próprios ovócitos congelados foi de 18%, semelhante à taxa de parto a partir de embriões congelados em mulheres com idade próxima ou superior a 40 anos no momento da transferência.

A HFEA salienta que um dos motivos para os ovócitos doados terem culminado em mais partos bem-sucedidos foi o facto de serem geralmente congelados mais cedo; e sabe-se que a idade do ovócito é um dos fatores mais críticos. Além disso, para poderem doar ovócitos, as mulheres têm de cumprir determinados critérios em termos de saúde, o que não acontece em mulheres que congelam os seus próprios ovócitos, pelo que a reserva de ovócitos doados é, na sua globalidade, “mais saudável”.

Assim, se utilizar os seus próprios ovócitos, jovens e saudáveis, é provável que obtenha resultados superiores à média, próximos da taxa observada com ovócitos congelados de dadoras e embriões congelados.

Pode ser-lhe útil recorrer à ferramenta de decisão do Brigham and Women’s Hospital, Brigham Women’s Hospital Egg Freezing Counseling Tool. Trata-se de uma calculadora desenvolvida com base na investigação que permite prever a probabilidade de ocorrer um parto de um recém-nascido vivo em mulheres que optam por congelar ovócitos para utilização futura. (Nota: de acordo com o termo de responsabilidade da própria ferramenta, apesar de esta ter sido desenvolvida com base na investigação, a calculadora não tem validação externa, pelo que deve ser utilizada com precaução.)

Fatores éticos e legais

Dissolução de uma relação

Ao congelar embriões fecundados com um parceiro específico, não poderá voltar atrás. Mesmo que esteja loucamente apaixonada pelo seu parceiro atual e convencida de que um dia terão filhos, as relações nem sempre terminam da forma que imaginávamos.

A maioria dos formulários de consentimento para FIV e congelação de embriões contêm cláusulas legais que estipulam o modo como será feita a divisão da posse dos embriões caso a relação termine. Dito isto, se a relação tiver um fim atribulado, poderá ter problemas legais… se ainda quiser, sequer, utilizar esses embriões.

A congelação de ovócitos permite evitar todos estes problemas. Os seus ovócitos são totalmente seus e podem ser utilizados se, quando e como quiser.

Tratamento de ovócitos/embriões não utilizados

Na prática, muitas mulheres acabam por não utilizar os ovócitos e embriões que congelaram, porque engravidaram naturalmente, decidiram não ter filhos ou conseguiram ter o número de filhos que queriam antes de utilizar todos os ovócitos/embriões. O que acontece ao seu material genético se decidir que não precisa mais dele?

Muitas religiões consideram que um embrião é uma vida humana, impondo restrições ao modo como deve ser tratado, mesmo que já não seja necessário. Religião à parte, não é anormal que a ideia de descartar um embrião sem mais nem menos provoque algum incómodo. Pelo contrário, os ovócitos não fecundados são muito mais simples de descartar, tanto a nível emocional como ético.

Peaceful couple after fertility preservation

Casal tranquilo após preservação da fertilidade

Fatores emocionais

Briallen Hopper levanta uma questão inesperada, ao dar-se conta de que a congelação de embriões (com espermatozoides de um dador) diminuiu as suas hipóteses de encontrar o amor.

Com pouco mais de 40 anos, Briallen quer ter filhos, mas os homens que querem ter filhos começam já a excluí-la da lista de potenciais parceiras. As suas hipóteses de engravidar naturalmente começam a diminuir significativamente, e a probabilidade de que os homens que queiram formar família estejam interessados em ter um filho utilizando um embrião que não contenha o seu material genético é baixa.

Os embriões congelados, obtidos com recurso a espermatozoides de um dador, podem permitir que Briallen seja mãe, mas, paradoxalmente, à custa de encontrar um parceiro.

Ao deixar em aberto a questão de quem será o pai, a congelação de ovócitos não tem o mesmo impacto na forma como pensa no amor ou nos seus potenciais parceiros.

Fatores financeiros

A congelação de ovócitos ou de embriões não sai barata. Se as suas possibilidades económicas forem limitadas, a escolha entre congelar ovócitos e embriões pode depender dos eventuais procedimentos abrangidos pela sua seguradora.

No caso de Briallen Hopper, de quem falávamos, o aspeto financeiro foi crucial para a sua decisão. A congelação de ovócitos era incomportável, mas a sua seguradora cobria os custos da técnica de FIV, colocando o processo de congelação de embriões ao seu alcance.

Tomar uma decisão

Congelar ovócitos? Ou congelar embriões? A escolha não é fácil. Tem de tomar uma decisão que tenha em conta presente e futuro, esperanças e desejos, e a sua realidade.

Esperamos que, com esta abordagem dos vários fatores importantes envolvidos em ambos os processo, tenha ficado mais informada acerca das vantagens e desvantagens de cada um. Desejamos que tome uma decisão esclarecida que lhe traga satisfação.

O que acontece aos seus ovócitos à medida que envelhece?

Já deve ter ouvido a expressão “O relógio não pára” tantas vezes que já enjoa. No entanto, as mulheres que queiram ter filhos não podem simplesmente ignorar a sensação de urgência.

Já deve ter ouvido a expressão “O relógio não pára” tantas vezes que já enjoa. No entanto, as mulheres que queiram ter filhos não podem simplesmente ignorar a sensação de urgência. A necessidade de conjugar a progressão na carreira com a procura do parceiro ideal e de resolver outros problemas da vida antes de terem filhos significa que o “relógio” não é apenas uma metáfora irritante, mas sim uma preocupação legítima. Apesar de a fertilidade não desaparecer simplesmente de um dia para o outro, também não dura para sempre, sendo que o processo de declínio da fertilidade se inicia na casa dos 30 anos. Vamos ver porquê, e saber o que pode (ou não pode) fazer quanto a esta questão.

Quantidade de ovócitos

A quantidade de ovócitos férteis não se mantém constante ao longo da vida. Enquanto uma adolescente tem cerca de 400 mil ovócitos, este número começa rapidamente a diminuir. O Dr. Sherman Silber, autor de um guia sobre como levar a melhor sobre o seu relógio biológico (Beating Your Biological Clock, no seu título original), explica que, após o início da menstruação, uma adolescente perde mil ovócitos imaturos todos os meses, sendo que esta perda é simplesmente um processo biológico e não algo que possa ser alterado por fatores que possamos controlar. Em média, as mulheres têm cerca de 25 mil ovócitos aos 37 anos e apenas mil aos 51. Poder-se-ia pensar, “bem… para engravidar, basta UM ovócito saudável.” Esses números parecem ser ainda bastante altos. Mas uma gravidez bem-sucedida não é apenas uma questão de números.

Qualidade dos ovócitos

Nem todos os ovócitos são criados iguais. Para um ovócito estar pronto a ser fecundado, tem de passar por várias divisões celulares. Durante o processo complexo e fascinante de divisão celular, os cromossomas devem replicar e separar de forma perfeita quando a célula se divide em duas. À medida que os ovócitos envelhecem, vão tendo cada vez mais dificuldades no processo de divisão. Um dos problemas pode ocorrer nos próprios cromossomas. Podem separar-se demasiado cedo no processo de divisão celular, o que confere ao óvócito resultante um número anormal de cromossomas; a isto dá-se o nome de aneuploidia. Outro problema pode ocorrer com as partes da célula que envolvem os cromossomas, permitindo o seu alinhamento correto durante a divisão celular. Em ovócitos envelhecidos, é frequente estas partes (designadas microtúbulos) terem menor controlo sobre o processo, acabando (novamente) por conferir ao ovócito resultante um número anormal de cromossomas.

O que acontece a um ovócito que tenha um número anormal de cromossomas? Pode dar-se o caso de:

  • não ter capacidade de ser fecundado
  • não permitir o crescimento e desenvolvimento saudável do feto (resultando num aborto espontâneo precoce)
  • originar um bebé com síndrome de Down (a qual é provocada por um problema muito específico na divisão cromossómica)

Resumindo: apesar de muitas mulheres mais velhas poderem ter filhos saudáveis naturalmente, quanto mais velhos forem os ovócitos, maior a probabilidade de se darem anomalias no desenvolvimento e menor a probabilidade de originarem um bebé saudável.

Soluções presentes e futuras

O Professor Greg Fitzharris sugere que, futuramente, talvez venha a ser possível colher os cromossomas de um ovócito de uma mulher mais velha e introduzi-los no ovócito de uma mulher mais jovem. Desta forma, o material genético continuaria a ser inteiramente seu (ao contrário do que acontece na “doação de ovócitos”), mas os microtúbulos mais jovens do ovócito doado aumentariam o sucesso da divisão cromossómica. Por mais entusiasmante que pareça, esta hipótese ainda está longe de ser uma realidade. Mas as mulheres que estejam a pensar antecipadamente sobre a sua fertilidade podem preservar eficazmente a juventude dos seus ovócitos, já hoje. As mulheres que congelam alguns dos seus ovócitos aos 30 e poucos anos, por exemplo, poderão utilizá-los aos 40, quando decidirem que está na altura certa para serem mães. Este processo de congelação designa-se criopreservação de ovócitos maduros, e é feito em clínicas de fertilidade em todo o mundo. A congelação de ovócitos permite parar o relógio, retendo a qualidade dos cromossomas e do material celular envolvente. É uma das melhores soluções atualmente disponíveis para preservação da fertilidade. Não existem garantias, mas o facto de conhecer as opções disponíveis e planear o futuro com antecedência são as melhores medidas a adotar para tornar os sonhos de maternidade numa realidade.